Um encontro de clubes de leitura em Indaiatuba reuniu mediadores da cidade e da região na Biblioteca Pública Municipal Antonio Modanesi, em 27 de outubro de 2026. A atividade integrou a programação do Festival Literário e abordou a formação de leitores.
Maria Cristina Peres Vilas, pedagoga e mediadora de leitura de Sorocaba, conduziu a conversa como convidada do Festival. Ela é uma das idealizadoras do Clube de Leitura do Interior Paulista (CLIP).
Entre as pessoas envolvidas estavam Ariani Teodoro, ativista cultural e mediadora, a bibliotecária Analma Moura e Samir Daher, mediador do clube do livro Estante Quer. A reunião ocorreu na biblioteca municipal de Indaiatuba.
As discussões trataram da colaboração entre grupos, do acesso à literatura e das condições para a mediação cultural. Também foi apresentado o conceito de ecossistema mediador, associado pelo pesquisador chileno Felipe Munita à atuação conjunta de pessoas e espaços.
Encontro reúne mediadores e debate a formação de leitores
Segundo o Clube de Leitura do Interior Paulista (CLIP), Indaiatuba tem 13 clubes de leitura em atividade. O dado foi apresentado no encontro como retrato da presença de grupos dedicados à leitura na cidade.
Maria Cristina Peres Vilas defendeu que a literatura seja reconhecida como um direito de todas as pessoas. Para a pedagoga e mediadora, os clubes também favorecem o pertencimento ao universo da cultura letrada e a possibilidade de recriá-lo.
Na avaliação de Maria Cristina, a criação de um clube pode abrir espaço para que outros surjam, mas esse processo não deve ser entendido como simples contágio. Ela o descreveu como uma ação colaborativa, ligada à responsabilidade compartilhada de democratizar a leitura.
Ariani Teodoro ressaltou a articulação de uma rede e o fortalecimento de espaços públicos entre pessoas que veem na literatura uma forma de alento, carinho e alimento. A ativista cultural relacionou essa construção a uma sociedade mais democrática, plural e acessível.
Ecossistema mediador e articulação entre clubes de leitura
O conceito de ecossistema mediador, apresentado por Maria Cristina a partir do trabalho do professor e pesquisador chileno Felipe Munita, amplia o olhar para além da atuação individual de quem medeia a leitura. A ideia também considera as condições dos espaços de atuação e as relações estabelecidas entre as pessoas envolvidas.
Munita usa a escola como exemplo para explicar o conceito de ecossistema. Nessa perspectiva, a identidade de mediadores e mediadoras se fortalece em conexão com um contexto mais amplo de mediação cultural, e não apenas por iniciativas isoladas.
A bibliotecária Analma Moura avaliou que reunir mediadores e clubes na biblioteca vai além da troca de experiências: também fortalece vínculos entre pessoas por meio da literatura e valoriza iniciativas que transformam vidas. Ela associou esses encontros à possibilidade de dar voz a quem acredita nos livros e incentivar novas conexões.
Samir Daher, mediador do clube do livro Estante Quer, descreveu os grupos como espaços em que histórias e vozes se encontram, ideias se transformam e diferenças aproximam as pessoas. Maria Cristina acrescentou que experiências singulares podem se fortalecer mutuamente e ampliar as possibilidades de participação, para que a literatura seja um direito vivido e compartilhado.


