O aplicativo Conemo foi expandido para todas as 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Indaiatuba, no interior de São Paulo. A ferramenta oferece apoio a pessoas com sintomas de depressão e ansiedade atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a plataforma combina rastreamento de saúde mental e recursos baseados na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Segundo a equipe do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), o projeto foi criado para ser utilizado nos serviços de saúde.
O Conemo começou a ser usado em Indaiatuba em 2024 e também teve um projeto piloto em Jaguariúna. A implementação nas unidades envolveu capacitação de profissionais e triagem da população, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro Universitário Max Planck (UniMAX).

A ferramenta chegou ao SUS após ensaios clínicos realizados entre 2016 e 2018 em São Paulo e Lima, no Peru, com 610 participantes. A iniciativa reúne recursos digitais para pacientes e instrumentos de acompanhamento para as equipes de saúde, além de prever encaminhamento de alertas quando a triagem identifica risco de suicídio.
Como o Conemo combina jornadas digitais e acompanhamento nas UBS
No aplicativo Conemo, o atendimento é organizado em jornadas interativas, divididas em sessões com textos, áudios e vídeos. O conteúdo inclui estratégias para reconhecer emoções, lidar com sintomas de ansiedade e realizar atividades prazerosas, além de orientações para promover saúde e bem-estar.
A plataforma também oferece um painel de monitoramento para os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Por meio dele, as equipes acompanham o rastreamento de casos e indicadores relacionados aos pacientes atendidos em suas unidades.
O desenvolvimento do aplicativo, do planejamento à capacitação dos profissionais, foi realizado pela equipe de pesquisadores e técnicos do projeto. Para manter contato com os participantes, a plataforma passou a usar um bot de WhatsApp, em substituição às ligações telefônicas que eram feitas anteriormente.
Ensaios clínicos e implantação do aplicativo no SUS
Nos ensaios clínicos, os participantes usaram o aplicativo por seis semanas, e os pesquisadores observaram uma redução mais rápida dos sintomas de depressão entre quem recebeu a intervenção do que no grupo de controle. Os resultados foram publicados em 2021 no periódico JAMA.
Segundo Paulo Menezes, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor científico do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), no estudo brasileiro auxiliares de enfermagem das equipes de saúde da família ofereciam a intervenção e acompanhavam os participantes. Ele descreveu a pesquisa como pragmática, por ocorrer em condições próximas às do atendimento cotidiano.
O perfil dos participantes também variou entre Brasil e Peru: a escolaridade era maior entre os pacientes peruanos. Menezes relacionou essa diferença ao acesso às clínicas previdenciárias no Peru, que exige vínculo de emprego, enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) atende universalmente a população residente na área das unidades.
Os autores do estudo relataram que a intervenção digital melhorou significativamente os sintomas depressivos em três meses, em comparação com o atendimento padrão aprimorado. A equipe também ampliou o foco da plataforma para incluir sintomas de ansiedade e realizou novas etapas de estudo e aprimoramento tecnológico.
Quem pode participar e como acessar o Conemo em Indaiatuba
O projeto é gratuito e destinado a pessoas com 18 anos ou mais cadastradas nas UBSs de Indaiatuba. Para participar, é necessário apresentar sintomas significativos de depressão e/ou ansiedade, não ter risco de suicídio moderado ou alto e conseguir ler as instruções em um smartphone ou tablet.
Os critérios são verificados por formulários de avaliação. Nas unidades, a pessoa pode escanear um QR Code para responder a um questionário e consultar os termos de consentimento; profissionais das UBSs também podem indicar pacientes para o uso da ferramenta.
Os questionários usados na triagem são validados e aplicados internacionalmente para avaliar sintomas de depressão e ansiedade. Conforme a pontuação, a pessoa pode ser orientada a baixar o aplicativo e fazer as jornadas digitais, descritas pela equipe como terapias breves para esses sintomas.
Uma pergunta da avaliação aborda pensamentos de que seria melhor estar morto ou de fazer algo contra si mesmo nas duas semanas anteriores. Se a resposta indicar esse tipo de pensamento, outras perguntas avaliam o risco de suicídio e, dependendo do nível identificado, a UBS recebe um aviso para que a equipe preste ajuda imediata.


