A Celebração Inicial da Assembleia
No início do segundo dia da 47ª Assembleia Eclesial do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o clima foi de espiritualidade e gratidão. A celebração da Santa Missa, realizada no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, SP, foi presidida pelo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer. Este evento não apenas celebrou a eucaristia, mas também comemorou os 50 anos de vida sacerdotal e 25 anos de episcopado de Dom Odilo.
Durante a missa, o arcebispo expressou sua gratidão a Deus por ter lhe concedido a oportunidade de servir à Igreja ao longo dos anos, reconhecendo a importância de suas experiências acumuladas nas Assembleias do Regional. Ele foi acompanhado por bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo, tornando o momento ainda mais significativo para todos os participantes.
Reflexões sobre a Comunhão na Igreja
Conforme as atividades prosseguiram, o foco foi lançado sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o período de 2026-2032, além do Documento Final do Sínodo 2021-2024. Durante as primeiras sessões do dia, o Pe. Antonio de Lisboa Lustosa Lopes, da PUC-SP, conduziu reflexões profundas sobre a necessidade de uma comunicação efetiva e da promoção da dignidade humana no seio da Igreja.

As quatro palavras-chave que emergiram dessa reflexão foram: aproximação, escuta, Palavra de Deus e pertencimento eclesial. Essas palavras se tornaram pilares fundamentais para a comunicação da dignidade humana na cultura digital contemporânea. O Pe. Antonio enfatizou que, na era digital, a comunicação não deve ser apenas técnica, mas uma verdadeira vivência da história de cada indivíduo.
O Papel da Comunicação na Evangelização
A comunicação, no entendimento de Pe. Antonio, deve ir além do simples ato de enviar mensagens; deve envolver uma relação onde a vida real da pessoa e as experiências vividas são atendidas. Ele citou o impacto que uma mensagem pode ter quando formulada dentro de uma relação viva, defendendo a ideia de que “mais que uma tela, temos a história de uma pessoa”. Na cultura contemporânea, ser missionário implica em ser um verdadeiro testemunho de Cristo.
Desafios da Cultura Digital
A reflexão continuou com uma análise crítica dos desafios que a cultura digital impõe. Pe. Antonio identificou três áreas críticas: atenção, confiança e pertencimento. Ele destacou que a rápida proliferação de conteúdos e a prevalência do individualismo acentuam uma fragmentação das relações, representando um obstáculo à missão da Igreja de evangelização.
Para superar esses desafios, é vital respeitar o tempo necessário para que as pessoas compreendam e assimilem as informações, além de uma rigorosa checagem das fontes de informação. A construção de comunidades verdadeiramente acolhedoras e abertas é uma meta fundamental nesse contexto de interação digital.
A Dignidade Humana na Ação Social
Pe. Antonio também abordou as quatro dimensões da dignidade humana: ontológica, moral, social e existencial. Ele destacou que, diante das dificuldades enfrentadas pelas pessoas, a Igreja deve estar presente e próxima, evitando que situações adversas tornem-se normativas e desrespeitem a dignidade humana. A compaixão deve ser a resposta primordial da Igreja em relação às necessidades do próximo.
O papel da Igreja não é apenas um de atenção, mas também um de tomada de responsabilidade, estabelecendo diretrizes para que a evangelização e a promoção da dignidade humana caminhem juntas, especialmente em momentos de crise e vulnerabilidade.
A Pedagogia Divina dos Discípulos de Emaús
Utilizando o relato bíblico dos discípulos de Emaús como referência, Pe. Antonio destacou a importância de um processo de escuta e acolhimento nas comunidades eclesiais. Assim como os discípulos foram acompanhados por Jesus em sua caminhada, a Igreja é chamada a acompanhar os fiéis em suas jornadas, promovendo uma relação de fraternidade e solidariedade.
A imagem da “tenda do encontro” proposta nas Diretrizes Gerais ilustra perfeitamente essa abordagem. O interior dessa tenda simboliza a experiência de pertencimento e as estacas representam a fé que sustenta a vida eclesial, enfatizando a importância de acolher todos os que se aproximam da Igreja.
Construindo Comunidades Acolhedoras
Para criar comunidades mais inclusivas, a sinodalidade, a autoridade e a transparência devem estar a serviço da comunicação e da missão. A Igreja precisa constantemente avaliar seus métodos de evangelização, adaptando-se aos tempos contemporâneos, sem perder de vista sua essência espiritual.
O conceito de acolhimento vai além das palavras; é uma prática que deve se refletir em ações concretas nas comunidades, envolvendo todos os membros e buscando sempre a inclusão de vozes diversas e a promoção da dignidade de cada indivíduo.
Metas para a Ação Evangelizadora
No período da tarde, os membros da assembleia se reuniram em subgrupos, representando diversas sub-regiões pastorais como Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba. O objetivo foi analisar a trajetória da ação evangelizadora nas diferentes regiões e estabelecer metas claras para o fortalecimento do trabalho da Igreja na área da comunicação e promoção da dignidade humana.
Os diálogos foram enriquecedores, permitindo que as experiências locais fossem compartilhadas e que um plano de ação fosse delineado, tendo como foco a efetividade na evangelização e no apoio social.
Importância da Sinodalidade na Igreja
A sinodalidade, conceito cada vez mais incorporado nas práticas eclesiais, enfatiza a caminhada conjunta da Igreja. Cada membro, seja leigo ou clérigo, desempenha um papel vital. A comunicação sinodal promove um diálogo aberto, onde todos os envolvidos têm a chance de ouvir e serem ouvidos. Essa prática é essencial para fortalecer a base da Igreja e garantir uma resposta mais ágil e sensível às demandas do povo.
A compreensão da sinodalidade como um caminho de reconhecimento mútuo ajuda a construir uma Igreja mais unida e orientada por valores de respeito e dignidade.
Compromisso da Igreja com a Dignidade Humana
Encerrando a jornada do dia, o compromisso da Igreja com a dignidade humana se apresentou como um princípio fundamental. Pe. Antonio reiterou que a missão da Igreja não deve ser vista de forma isolada; ao contrário, deve ser encarada como um todo, onde cada ação de evangelização vai ao encontro das necessidades sociais, espirituais e emocionais da população.
Essas reflexões serão um norte para as próximas ações e decisões da Diocese, reforçando que a dignidade humana e a promoção do amor ao próximo devem ser sempre a prioridade da Igreja. A 47ª Assembleia Eclesial do Regional Sul 1 seguirá até o dia 27, com mais momentos de partilha e diálogo entre os membros, consolidando o compromisso da Igreja com a evangelização e a dignidade de todos os seus fiéis.


