Swine Vision 2026 debate micotoxinas e nutrição de leitões e matrizes

O Swine Vision 2026 reuniu mais de 100 profissionais da suinocultura em Indaiatuba (SP), nos dias 8 e 9 de outubro, para debater desafios nutricionais e sanitários do setor.

Organizado pela Trouw Nutrition Brasil, o encontro ocorreu em um setor que produziu 5,592 milhões de toneladas de carne suína em 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Além de especialistas de diferentes regiões do país, participaram pesquisadores ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), à Universidade de São Paulo (USP), à Universidade Federal de Lavras (UFLA) e à Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Swine Vision 2026

Entre os temas estiveram o controle de micotoxinas, a nutrição de matrizes e leitões e a saúde intestinal. Séries históricas analisadas pela Embrapa Suínos e Aves indicam que a alimentação representa, em média, cerca de 65% dos custos de granjas de ciclo completo.

Micotoxinas, saúde intestinal e nutrição de animais

Nos debates do Swine Vision 2026, a contaminação de ingredientes por micotoxinas foi relacionada a possíveis prejuízos ao desempenho dos suínos. A zootecnista Raquel Bighetti Araujo, líder de espécies Aves e Suínos para a América Latina na Trouw Nutrition, explicou que essas toxinas podem atuar de forma sinérgica.

Segundo Araujo, a exposição combinada pode comprometer a imunidade, a integridade intestinal, as funções hepáticas e renais e o desempenho reprodutivo, sem necessariamente provocar sinais clínicos visíveis. A programação também abordou as relações entre microbiota, resposta imune e desempenho zootécnico.



As estratégias nutricionais para matrizes hiperprolíficas foram outro tema do encontro. As discussões trataram das exigências alimentares de fêmeas com elevada capacidade reprodutiva, sem detalhar uma recomendação única de formulação ou manejo.

Na fase pós-desmame, especialistas discutiram mudanças na fisiologia digestiva dos leitões e a adequação de ingredientes e dietas a essa etapa. Entre os aspectos considerados estavam a velocidade de digestão de proteínas, fibras e amidos, além da capacidade de tamponamento da dieta, que influencia a acidificação do conteúdo gástrico.

Custos da alimentação e contexto da suinocultura brasileira

O peso da alimentação nos custos pode aumentar em períodos de crise: de acordo com séries históricas analisadas pela Embrapa Suínos e Aves, a participação pode chegar a 70% a 75% das despesas de granjas de ciclo completo. Esse dado foi apresentado em relação à média de cerca de 65% já mencionada para essas granjas.

Durante o encontro, a Trouw Nutrition apresentou o aditivo TOXO-HP, voltado ao manejo de micotoxinas, e concentrados da linha Milkiwean para a nutrição de leitões. O material de divulgação descreve as aplicações dos produtos, mas não traz resultados comparativos independentes que quantifiquem os benefícios produtivos anunciados.

Segundo o Relatório Anual 2026 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína em 2025 e ocupou a terceira posição mundial nas exportações. O dado integra o contexto de mercado em que os temas de controle sanitário e nutrição foram debatidos no Swine Vision 2026.



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